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Taxa de juro nominal, taxa de juro real e ilusão monetária em Angola

BA

fonte: O PAIS

O aumento das taxas de juro pelo Banco Nacional de Angola não se transmite instantaneamente aos clientes finais e ao mercado monetário interbancário.

O Banco Central pela terceira vez no ano aumentou as taxas de juro, levando a taxa básica para 16% e a taxa de Facilidade de Cedência Liquidez para 20%, enquanto a taxa de Facilidade de Absorção evoluiu para 7,25%. Apesar da tendência ascendente destas taxas verifica-se que as taxas do Mercado Monetário Interbancário e as dirigidas aos clientes finais não reagem de forma instantânea aos movimentos das taxas do BNA.

Segundo um estudo publicado no relatório do artigo IV do FMI de 2015, sobre “Os Mecanismos de Transmissão da Taxa de Juro em Angola”, o impacto das variações efectuadas pelo Banco Central sobre as taxas LUIBOR só se completa depois de 8 meses, o que significa que as variações que o BNA fez este ano ainda não estão completamente repassadas para as taxas do Mercado Monetário Interbancário, nem para os clientes da banca comercial.

O efeito das variações das taxas LUIBOR sobre as taxas de juro dos créditos e depósitos só se completam depois de 6 e 3 meses respectivamente. Estes resultados podem justificar o facto de até ao momento as taxas de juro dos bancos comerciais não terem respondido na mesma proporção aos aumentos efectuados pelo BNA. Em economias em que a transmissão é lenta, o Banco Central precisa implementar variações maiores para atingir os efeitos pretendidos.

Por isso, apesar do Banco Central já ter elevado as taxas de juro para níveis históricos as mesmas ainda estão negativas em termos reais. Por exemplo, em Maio a taxa de juro nominal média do sistema financeiro para crédito em moeda nacional superior a 1 ano, para empresas, fixou-se em 14,45% e a inflação do mês anterior, Abril, foi de 26,43% (assumindo que a determinação da taxa de juro leva em conta os dados da inflação do mês anterior) resultando numa taxa de juro real de -11,98%.

Este nível de taxa de juro real, negativa, significa na realidade que com cada kwanza recebido no sistema financeiro, em termos anualizados, caso o mesmo tenha conseguido aplica-lo num activo e precise de revendê-lo para pagar o juro do crédito, o mesmo tenha conseguido transforma-lo em 1,26 kwanzas no mínimo e pagará apenas 14,5 cêntimos de juro, perfazendo um ganho mínimo de 11,98 cêntimos. O Ganho real do devedor é precisamente igual a perda real do credor, -11,98. Porém, os agentes económicos tomadores de empréstimos reclamam da alta de taxas de juro. Qual é a razão desta reclamação? Se em termos reais os devedores (tomadores de crédito) estão a ser pagos enquanto os credores (as instituições financeiras) estão a pagar para conceder crédito.

O facto dos agentes económicos reclamarem da alta de taxas de juro, quando na realidade as mesmas estão a reduzir pode ser um indício da existência de ilusão monetária na economia angolana. A ilusão monetária é um fenómeno que tem recebido uma grande atenção a nível dos investigadores económicos. Desde muito cedo Irving Fischer, professor da Yale University, debateu-se com estas questões nas suas aulas. Em 1928 lançou o livro, que tem reedições até aos nossos dias, intitulado “Money Ilusion”. Fischer dizia que as pessoas sofrem de ilusão monetária quando confundem variáveis nominais com variáveis reais.

É o facto, por exemplo, das pessoas prestarem mais atenção a mudanças nominais nos preços do que a mudanças reais – a taxa de juro é o preço do empréstimo da moeda durante um determinado período de tempo. As grandes escolas de pensamento também falam sobre este assunto, a escola liderada por Robert Lucas, a Escola Neoclássica, afirma que a política monetária (moeda) só é efectiva se existir ilusão monetária (isto é se os agentes económicos forem enganados ou estiverem destraidos, confundindo variações nominais com variações reais) o que justificou o facto da teoria Keynesiana do lado da procura produzir efeitos apenas no curto prazo.

Esta afirmação foi também feita por Milton Friedman. Apesar de haver indícios de existir ilusão monetária em relação às taxas de juro e outras variáveis do sistema financeiro, parece que a mesma não se estende à todas as variáveis, já que os agentes económicos têm também reivindicado ajustamento salarial para repor a perda de poder de compra corroído pela inflação. Logo, podemos concluir que em Angola existe ilusão monetária assimétrica.




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