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24 de September de 2017
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O Portal Bancos de Angola

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PCE do BPI confirma solução de troca de acções do BFA pelo BPI

fernando_ulrich

Fonte: Económico

Líder executivo do BPI fala de outras soluções apresentadas e que respondem às preocupações da Santoro.

Tal como avançado pelo Económico, a troca de acções do BFA pelo BPI é vista como uma solução para o divórcio com a Santoro. “Com os valores que estão em cima da mesa, o BPI, nessa solução ficaria ainda com uma posição minoritária no BFA”, admitiu Fernando Ulrich, considerando ainda possível um acordo com Isabel dos Santos. A solução apresentada entre três passa por o BPI pagar as acções próprias à Santoro pagando com acções do BFA. Depois o BPI cancela as acções, explica Fernando Ulrich, na apresentação de resultados trimestrais. Nesse cenário o BPI pode comprar mais de 10% de acções próprias.

“Esta solução era boa para a Santoro que juntamente com a Unitel ficavam a dominar o BFA, e é positivo para Angola, uma vez que passaria por trocar o investimento num país estrangeiro pelo reforço de investimento no seu próprio país”, disse o banqueiro. E para o BPI era bom porque ficava resolvido o problema de elevada exposição a Angola. Para o Caixabank seria uma solução relativamente neutra.

O BPI também apresentou mais duas soluções que respondem às preocupações da Santoro com minoritários e com a saída de capitais de Angola. Uma delas é o ‘spin off’ com cotação da holding dos activos africanos em Lisboa. A outra é o CaixaBank comprar o BPI na OPA e requerer ao BCE que seja o CaixaBank como consolidador último a assumir os riscos de Angola, isto é, obter uma dispensa do sub-consolidador, que passaria nesse caso a ser o BPI. A dimensão do CaixaBank seria suficiente para aguentar a exposição, que actualmente é do BPI, ao riscos de Angola (por via da consolidação integral com o BFA e da carteira de dívida angolana detida pelo banco em Angola).

Fernando Ulrich recordou o comunicado da Santoro de 19 de Abril em que esta manifesta duas preocupações. Uma delas é que “a Santoro sempre considerou inadmissível o cenário desenhado pelo CaixaBank em que os accionistas minoritários do BPI receberiam acções do BFA sem que lhes fossem dadas garantias de liquidez”. O spin-off do BFA implicaria necessariamente a admissão à cotação do BFA na Euronext Lisboa ou noutra bolsa, explicou  o comunicado da Santoro, uma vez que todos os accionistas, incluindo os minoritários do BPI, receberiam acções do BFA. “Este ponto foi, aliás, por mais que uma vez qualificado pela Santoro como inegociável”.

O presidente do BPI confessou que “até hoje não percebo porque é que a Santoro não aceitou o ‘spin off’ proposto pelo BPI a 30 de Setembro, porque era bom para Angola”. Elogiou aqui o fair-play do CaixaBank que aceitou essa solução não sendo a que mais vantagens lhe trazia. “Se essa solução tivesse sido aprovada na altura, ter-se-ia poupado muita coisa que veio a acontecer a seguir, nomeadamente o diploma que facilita as desblindagens de estatutos”, afirmou Fernando Ulrich.

A proposta hoje recordada por Ulrich previa que os accionistas do BPI ficassem simultaneamente accionistas da nova holding de activos africanos (50,1% do BFA, e cerca de 30% do banco em Moçambique, BCI), mantendo a blindagem de votos. Essa holding seria cotada em Lisboa, na primeira versão do spin-off que entretanto foi chumbada pelo accionista Santoro (18,58% directamente e mais 2,28% via BIC).

Sobre o diploma chamado informalmente de “lei BPI”, Fernando Ulrich considera que o diploma não é feito à medida do BPI. Uma vez que o diploma prevê que caiam as barreiras na votação à mudança de estatutos com vista à desblindagem dos votos, apenas e só quando a proposta é feita pela administração do banco, bastando a proposta ser feita em Assembleia Geral por um accionista, para que a votação da mudança de estatutos se faça como até agora, com limite de votos e com maiorias exigidas acima da lei geral. O que dá margem ao BCP, o outro banco com limites de voto, para manter a blindagem estatutária.

Mas ainda assim Fernando Ulrich elogiou a lei: “o Governo actuou muito bem nesta matéria porque defendeu o sistema financeiro”, apontou o presidente do BPI, recordando não ter proximidade ideológica com o actual Executivo.

Fernando Ulrich confidenciou aliás que esta preocupação com o caso BPI/Angola remonta já ao tempo do anterior executivo e ao anterior chefe de Estado. Enquanto presidente da República, Cavaco Silva, chamou os banqueiros a Belém, e falou a Fernando Ulrich deste tema, disse o presidente do BPI que revelou que esta solução estava já a ser preparada. Fernando Ulrich falou também da preocupação de António Costa com o tema BPI, elogiando o papel de Diogo Lacerda Machado, o emissário do primeiro-ministro, porque permitiu ao governo ter informação ‘online’ sobre as negociações.

Isabel dos Santos, no seu comunicado revelou também que autorizações do Banco Nacional de Angola para a exportação de divisas foram requeridas pelo CaixaBank para a execução do acordo de separação no BPI, tendo, segundo o comunicado da Santoro, querido o CaixaBank “impor nas minutas de contratos” autorizações do BNA, “como se fossem responsabilidades da Santoro, ao mesmo tempo que pretendia incluir cláusulas relacionadas com o pagamento das acções do BFA que seriam alienadas”.

Fernando Ulrich disse que as três soluções que apresentou em público eram soluções que davam resposta às duas preocupações da Santoro, uma vez que todas respeitavam os minoritários e nenhuma delas exigia que saísse de Angola um único dólar.

Sobre o Caixabank, que integra o ‘board’ do BPI desde Outubro de 1995, disse: “É um privilégio para Portugal e para o BPI que uma instituição deste gabarito (que pertence a uma fundação que gasta 500 milhões de euros por ano em questões sociais e culturais) tenha interesse em reforçar a sua aposta em Portugal. É positivo para o sistema financeiro e para a economia portuguesa.”

Fernando Ulrich não comentou o interesse no Novo Banco, mas admite que o BPI, deixando de consolidar o BFA, vai apostar no crescimento. Para já só fala em crescimento orgânico. Enumera então que a rentabilidade doméstica virá da margem financeira (que no trimestre em Portugal cresceu 21%), não só pelos juros, mas também pelo volume; virá da melhoria da qualidade da carteira de crédito (o ponto forte do BPI face aos concorrentes é a qualidade da carteira de crédito), materializada na queda das imparidades para crédito; no aumento das comissões (aumento da actividade) e virá também da redução de custos. Recentemente o CaixaBank que se prepara para controlar a maioria do capital e votos do BPI, na sua apresentação da OPA ao BPI que está preliminarmente anunciada, disse querer aplicar o mesmo rácio de produtividade por trabalhador ao BPI que tem o CaixaBank.

Fernando Ulrich sabe que de nenhum banco europeu se pode esperar um ROE (rentabilidade dos capitais próprios) ao nível de Angola, que é de 35%, mas acredita no crescimento orgânico em Portugal, após perder o domínio do BFA.

Sobre o seu futuro no BPI, e depois de ontem a Assembleia Geral ter chumbado a mudança nos estatutos no que se refere à idade dos administradores executivos, que afectará directamente Fernando Ulrich que termina o seu mandado no fim do ano, o banqueiro recordou que “a assembleia de ontem não era eleitoral”. Contou a história de uma conversa com os filhos após as notícias de ontem para dizer que só vai estar “disponível para os programas familiares (numa clara alusão a uma eventual saída do BPI) daqui a muitos anos”.  Mas rapidamente emendou a mão e falou de meses e da sua actual função se manter pelo menos até Abril de 2017, altura em que haverá eleições para um novo mandato.

O banqueiro recusou que haja qualquer questão pessoal inerente à ‘guerra fria’ que o mercado tem assistido entre Fernando Ulrich e Isabel dos Santos.

Sobre a ida do seu administrador financeiro para a presidência da CGD, o líder executivo do BPI elogiou António Domingues, que hoje não esteve na conferência de imprensa. Defendeu que era “a pessoa mais qualificada” para assumir a presidência da CGD e felicitou o Governo pela escolha. Explicou que o banco redistribuiu os pelouros de António Domingues pelos restantes administradores do BPI, tendo o CEO ficado com o pelouro financeiro, embora admita “alterações a médio prazo”.

 




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