Com as “baterias” viradas para o financiamento de actividades que propiciem o crescimento e desenvolvimento da economia nacional, o Banco Millenium Atlantico deu, esta terça-feira, início às suas actividades com capitais próprios na ordem dos Kz 122 mil milhões e uma carteira de créditos de Kz 380 mil milhões.

“Iniciamos hoje a actividade do Banco Millennium Atlântico, uma instituição bancária que nasce com o propósito de contribuir para o crescimento e desenvolvimento da economia nacional de uma forma sustentável”, disse o presidente do conselho de administração da instituição, Carlos Silva, quando falava na cerimónia de abertura oficial que decorreu nas instalações da cidade financeira em Talatona e que contou com a presença do ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Edeltrudes Costa.

Na sua perspectiva, este pressuposto será alcançado obedecendo a cinco factores, nomeadamente ter uma estratégia clara de posicionamento do mercado como um banco universal, o investimento em recursos humanos, colocando- os na fronteira do conhecimento da indústria bancária, o investimento numa placa tecnológica que garanta a segurança bancária e um balanço robusto e sólido que é possível por meio da criação de mecanismos de fiscalização e controlo da actividade.

O presidente da comissão executiva do Millenium Atlântico, Daniel Santos, disse que a nova agência bancária tem deste modo a oportunidade de participar no processo de diversificação da economia angolana com uma carteira de financiamento diversificada resultante da forma como cada banco se posicionava no mercado. De acordo ainda com Daniel Santos, pela sua dimensão o Millennium Atlântico pretende posicionar- se como uma plataforma de atracção do investimento e parceiros internacionais que possam alavancar o crescimento do país. “Estamos muito seguros de que vamos ter um papel relevante na forma de financiamento da agricultura e outros sectores de actividade.

Cremos que desta forma vamos poder atrair investidores e parceiros que possam desenvolver a economia nomeadamente a agricultura e outros que muito potencial têm em Angola.”, frisou Daniel Carvalho Santos. O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe, considerou o sistema financeiro o motor do crescimento da economia e a fusão das duas instituições uma demonstração do interesse de Angola em criar mais robustez, tornando este sistema num instrumento de prosperidade das famílias. Para Valter Filipe, a fusão entre o Banco Millenium e o Atlântico representa robustez, consolidação, mais crédito, mais economia e mais prosperidade para as famílias.

“Esta fusão demonstra o interesse de Angola em criar mais robustez no sistema financeiro e tornar este sistema financeiro no instrumento de prosperidade das famílias angolanas. Estamos a trabalhar numa restruturação do Banco Nacional de Angola e a trabalhar na reestruturação e consolidação de vários bancos angolanos, porque entendemos que esta situação difícil que o país vive é uma grande oportunidade para fazer com que o sistema financeiro angolano seja o motor da economia e da prosperidade.

É uma oportunidade para trazer estabilidade financeira, crédito à economia e para dinamizar melhor a nossa economia nacional”, frisou. Para o economista Manuel Nunes Junior a fusão vai permitir maior crédito aos empresários nacionais que, neste momento, precisam de financiamento para aumentar a produção interna e fazer com que se diminuam as importações e se aumentem as exportações e haja mais divisas para o país. “É um bom pressuposto quando dois bancos se unem e estabelecem entre si complementaridades.

É sempre muito bom, há sempre uma maior força dos mesmos dentro do mercado e leva a maior capacidade competitiva “, frisou. Agregar forças O banco resultante da fusão tem uma quota de mercado de cerca de 10% e é a segunda instituição privada no crédito à economia. O Millennium Atlântico terá um dos maiores níveis de fundos próprios do sistema financeiro angolano, com um valor superior a USD 800 milhões, o que permitirá reforçar a capacidade de financiamento às famílias, às empresas e aos projectos estruturantes, que contribuem para o fomento da sustentabilidade da economia angolana.

A nova instituição reúne mais de dois mil colaboradores, centena e meia de sucursais em todo o país e mais de meio milhão de clientes. O Millenium Atlântico posiciona- se como o líder no Programa Angola Investe, com uma quota de 30%, e é o segundo maior banco privado em Angola no volume de crédito às famílias e às empresas.

Passos de uma fusão

9 de Outubro de 2015- Era anunciado um acordo de fusão entre dois bancos angolanos, a primeira de um sector que alguns analistas consideram demasiado pulverizado, com o grande quinhão do negócio concentrado nos maiores bancos. 15 de Abril de 2016 – O PAÍS noticiava que Executivo e do Banco Nacional de Angola havia aprovado a constituição do novo Banco Millennium Atlantico. 25 de Abril de 2016 – Era oficializada em Luanda, através de escritura pública, a fusão entre as duas instituições. No mesmo dia o BCP, entidade que controla o Millennium Angola, comunicava à entidade reguladora portuguesa do mercado de capitais (CMVM) a outorga da escritura.

O Atlântico

O Atlântico é o quinto maior banco em Angola em termos de crédito e de depósitos, com quotas de mercado de 7% e de 6%, respectivamente. O activo do Atlântico atingiu Kz 449 mil milhões em 30 de Junho de 2015, com crédito sobre clientes de Kz 241 mil milhões e depósitos de Kz 353 mil milhões. Desde a sua fundação, em 2006, o Atlantico registou um forte crescimento orgânico, sendo hoje uma das principais referências no mercado angolano em banca de investimento e nos segmentos corporate e private banking.

O Millenium Angola

O Banco Millennium Angola é o 6.º maior banco do sistema bancário angolano em crédito e o 8.º maior em depósitos, com quotas de mercado de 4% e de 3%, respectivamente, tendo atingido activos totais de Kz 287 mil milhões, crédito sobre clientes de Kz 129 mil milhões e depósitos de clientes de Kz 204 mil milhões no final de Junho de 2015.

O BMA posiciona-se no mercado angolano como um banco universal, oferecendo uma gama completa de serviços financeiros nas áreas de particulares e de empresas, com uma gama de produtos e serviços diversificada e inovadora, e estando presente em todas as províncias de Angola. O BMA foi criado em 2006 e, no final de 2007, abriu o seu capital à Sonangol e ao BPA, que controlam 49% da entidade.

Vitrine de Prémios

As instituições que agora se fundem foram objecto de várias distinções internacionais. O Banco Privado Atlântico foi distinguido pela Global Banking & Finance Review como “Best Investment Bank” 2012, 2013, 2014 e 2015, pela IFM (International Finance Magazine) que ainda elegeu a instituição como Best Customer Service Bank Angola 2015. A World Finance atribuiu ao Banco Privado Atlântico o prémio de Best Investment Bank, 2012, 2013, 2014 e 2015. A Capital Finance International distinguiu o banco na categoria de “Best Wealth Management Team” Angola 2015. O Millennium Angola foi eleito em 2015 como “Best Commercial Bank Angola 2015” pela Capital Finance Internacional que, também distinguiu a instituição como “Best Internet Bank Angola 2015”.

Nova Imagem

O lançamento do Banco Millennium Atlantico implicou a criação de uma nova imagem que junta as culturas do Atlantico e do Millennium Angola e simultaneamente foi lançada uma campanha de publicidade institucional. A assinatura da nova instituição é “ATLÂNTICO. VALORES PARA A VIDA”, deixando claro que o banco estará à disposição das pessoas, das famílias, das empresas e dos angolanos em geral.