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23 de September de 2017
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O Portal Bancos de Angola

É um espaço informativo de divulgação e educação voltado ao sector bancário angolano, suas ofertas, promoções, entrevistas, matérias, cotações, etc. Não devendo ser interpretado como substituto das entidades reguladoras do sector financeiro.

Linha de crédito para Angola. Sobram 480 milhões de euros.

 

angolaartigo

fonte: expresso.sapo

 

O custo e condições da linha de crédito destinada a empresas com pagamentos retidos em Angola tornaram o mecanismo desinteressante. Só 17 processos foram aprovados, utilizando 20 milhões dos 500 milhões disponíveis.

A medida parecia uma boa medida. A linha de crédito respondia a uma firme reivindicação das associações empresariais, preocupadas com a exposição de pequenas e médias empresas (PME) exportadoras a Angola. A escassez de divisas em Angola impedia a transferência de pagamentos já efetuados em kwanzas e justificava a criação de apoios para aliviar as dores de tesouraria.

Mas, cinco meses depois, o mecanismo revela-se um fracasso. Os cofres estão cheios, o financiamento não correu para o o tecido exportador. Até ao fim de setembro, segundo dados do Ministério da Economia (ME), a taxa de execução é de apenas 4%, beneficiando 17 empresas.

Dos 500 milhões de euros disponibilizados, sobram ainda 480. A linha está disponível até ao fim de 2015 e só nessa altura é que o ME voltará a fazer um balanço junto do sItema bancário que distribui o produto no mercado empresarial. Em média, cada operação aprovada é de €1,17 milhões.

LINHA CARA

O mecanismo segue os critérios das linhas PME Crescimento (deixa de fora as grandes empresas), tem um limite máximo de €1,5 milhões por candidatura e um período de carência de 12 meses. A análise de risco cabe às sociedades de garantia mútua e à banca comercial e a taxa de juro é a Euribor agravada de umspread entre 2,25% e 3,75%. Mas se este spread já não era atrativo para uma boa parte das PME, as condições da linha de financiamento levou a que generalidade dos destinatários desertasse.

E que fatores afastaram as empresas? Primeiro, a linha obriga a que no banco angolano cative uma contragarantia que seja o dobro do valor que recebe. Isto é, para receber 100 mil euros em Portugal, terá de existir na conta um depósito equivalente a 200 mil. Depois, a linha não conta com o mesmo grau de subsidiação do programa PME Investe, nomeadamente na isenção de comissão do Sistema de Garantia Mútua. Tudo somado, é preferível recorrer a outras linhas, como a destinada a reforçar o fundo de maneio, do programa PME Crescimento 2015, para injetar oxigénio na tesouraria.

A Fogões Meireles é um bom exemplo de uma PME exportadora que lida com Angola, acumulando €300 mil que e não conseguiu transferir. Mas, mal soube das condições da linha, descartou a solução. A empresa “tem acesso a contas caucionadas ou remessas de exportação a taxas mais favoráveis na banca comercial”, responde o administrador Bernardino Meireles.

A RAIZ DO PROBLEMA

Aquando do lançamento da linha, em maio, António Saraiva, presidente da CIP, comentava ao Expresso que a medida “é louvável, mas funciona como um paliativo” porque a raiz do problema “está na economia de Angola e na dificuldade de cobrança”.

“Entre nada e qualquer coisa, é sempre melhor qualquer coisa”, acrescentava Saraiva, que advertia que o sucesso da medida dependeria do “estado de desespero das empresas e do critério de avaliação de risco da banca”.

A verdade é que o problema persiste, as exportadoras continuam a sofrer com os atrasos nas transferências. A raiz do problema está na economia angolana. Os bancos, como o BIC, que atuam nos dois países antecipam a alguns clientes transferências de divisas a descoberto, mas de forma pontual e sem o carácter massificado de uma linha de crédito.

Uma industrial português instalado em Angola (19 trabalhadores) desabafava esta semana ao Expresso: “As transferências de salários dos expatriados está pior, chegando a haver aqui quatro salários por transferir”. Em setembro, a empresa “faturou 10 por cento do normal e em outubro ainda não me estreei“, acrescenta o industrial.

REDUÇÃO DE MIL MILHÕES

Na frente bancária, o mecanismo das cartas de crédito deixou de funcionar, difIcultando as exportações. Os bancos angolanos “estão a honrar os compromissos em carteira, mas evitam celebrar novas cartas de crédito por não saberem se daqui a seis meses têm divisas disponíveis”, refere um Expresso um gestor bancário.

A vida “está mesmo muito difícil para as empresas dependentes do mercado angolano”, acrescenta.

Em 2014, entre bens e serviços, as empresas portuguesas exportaram 4,68 mil milhões de euros para Angola. Foi o principal mercado fora do espaço europeu, entretanto ultrapassado pelos Estados Unidos. Em 2015, as exportações registam muma queda de 26%. Com esta evolução, a economia portuguesa perderá 1,2 mil milhões até a fim deste ano.




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