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Créditos com Colateral para Empresas, vantagens e limitações para o credor e para o mutuário

Por: Stélio Feijó | Luanda

Hoje muito se fala sobre o crédito ao investimento ou crédito comercial e das dificuldades que as pequenas e novas empresas encontram em contratá-los junto aos Bancos de Angola, mas neste ponto é importante ter em conta que uma das maiores “dores de cabeça” para os bancos ou instituições credoras é a identificação de garantias que sejam viáveis e elegíveis, entre as que os mutuários têm ou colocam à disposição do banco.

Neste artigo vamos de maneira simples dar a conhecer a natureza desta modalidade de crédito, identificar as vantagens e limitações tanto para os credores (entidades que dão o crédito) como para os mutuários (entidades a beneficiar do crédito) na contratação de um crédito com colateral ou garantias em depósito.

O que é o crédito com colateral ou garantias em depósitos

No vocabulário bancário, são conhecidos como créditos com colateral, os empréstimos suportados por garantias. Mais especificamente entende-se por créditos com colateral, as operações bancárias de crédito onde as garantias oferecidas pelo mutuário asseguram o cumprimento da obrigação contraída, logo em caso de incumprimento o banco tem como contrapartida os activos financeiros da empresa, no caso depósitos em dinheiro.

Num processo de crédito o credor busca ao máximo reduzir o risco de incumprimento, então para assegurar que não tenha perdas, ou que pelo menos estas sejam reduzidas, o banco precisa de identificar e avaliar as garantias que o mutuários oferecem. Existem vários tipos de garantias, mas ainda assim, entre as garantias reais podemos encontrar os bens físicos (imóveis ou propriedades), lista de acções, garantias pessoais (fiança e aval) etc. Neste artigo vamos fixar voltar a nossa atenção nas garantias reais em depósitos em dinheiro, estas que são as mais aceites e apreciadas pelos bancos em angola e à medida que formos analisando as vantagens, entenderá foi seleccionado este tipo de garantia.

Quais as vantagens para os Bancos (Credores)

A primeira vantagem para os credores, é a falta de burocracia na contratação, especialmente em comparação com o que seria se as garantias fossem por exemplo físicas. Um processo de crédito com colateral torna-se mais célere, reduzindo assim o tempo entre a preparação do crédito e a disponibilização do capital ao mutuário.

A segunda vantagem é a redução das despesas, nos créditos com colateral ou garantia em depósito, o banco evita despesas como a deslocação de uma equipa técnica por exemplo para avaliar o valor, a elegibilidade e a posse legal do bem que será usado pelo mutuário como garantia física, o banco ainda evita correr riscos com a possível depreciação do bem, seja pelo tempo, agentes naturais ou outros factores externos que um seguro não cobriria e mesmo despesas operacionais que envolveriam a contratação de um crédito com garantias desta natureza.

Sendo que os créditos com garantias em depósito devem cobrir pelo menos entre 50 à 100% do valor do empréstimo, pode-se listar como a terceira vantagem o nível de risco cada vez mais baixo ou mesmo em alguns casos quase nulo, pois em caso de incumprimento, o banco poderá recuperar o valor investido por meio da tomada de posse das garantias do mutuário.

A quarta vantagem do credor é que o colateral é por si só considerado como um sinal da boa qualidade do mutuário, pois apenas os mutuários com investimentos de baixo risco aceitam ou estão dispostos a fornecer mais e melhores colaterais, assumindo à partida que a possibilidade de a perderem é baixa.

Pode-se também enquadrar como a quinta vantagem a possibilidade de renovação do crédito, uma vez que as garantias após boa cobrança das prestações do crédito continuarão disponíveis.

A sexta vantagem do credor é o facto de que embora este desembolse um valor para o mutuário utilizar, os rendimentos deste último e mesmo a garantia estarão disponíveis para o banco, uma vez que pelo menos enquanto decorrer o crédito, mutuário tem vetada a possibilidade de recorrer à garantia para débitos.

A sétima e maior vantagem que listamos aqui para o credor, é a mais óbvia e presente em todas as modalidades de crédito, “O lucro”. Embora as instituições bancárias procuram sempre oferecer soluções práticas aos seus cliente, os credores têm sempre em vista o lucro nas operações de crédito, pois além do valor que o credor disponibilizar para o mutuário, este último deverá reembolsar o valor recebido no empréstimo acrescido de comissões, despesas e juros de acordo com o preçário e políticas de cada banco. De vantagens achamos que estas são as mais importantes, à seguir listamos as vantagens para a outra parte.

Quais as vantagens para os Mutuários (clientes empresa)

A primeira vantagem para o mutuário está na rapidez e facilidade da contratação do crédito, uma vez que num processo de crédito os técnicos gastam mais tempo no asseguramento do cumprimento das obrigações do mutuário, ou seja, na identificação, definição e clarificação das garantias, no caso de crédito com colateral este tempo poderá ser dispensado e o montante do crédito disponibilizado em poucos dias.

A segunda vantagem é a possibilidade de a empresa aproveitar oportunidades sem resgatar seus activos ou investimentos. Neste ponto alguns talvez pensem que seria a mesma coisa usar fundos próprios em um investimento pontual ou de médio prazo, mas pense que após o final do crédito, além de ter usufruído dos benefícios do investimento em si, ainda terá à sua disposição o dinheiro da garantia libertado pelo banco, já para o caso de utilizar fundos próprios ao invés dos fundos do banco, não mais teria estes valores disponíveis. Em suma o crédito com colateral dá a uma empresa a oportunidade de trabalhar com o dinheiro do banco ao passo que o seu dinheiro fica guardado.

A terceira vantagem são os juros ganhos pelo valor do garantia, pelo menos na maioria dos Bancos de Angola, embora o valor da garantia fica cativo, é feita uma aplicação à prazo, embora os juros pagos pelo banco pela aplicação à prazo destes valores não se comparem com os juros que o banco cobrará pelo empréstimo, pelo menos o seu dinheiro não fica parado, gera receitas, mesmo que poucas.

A quarta vantagem é a possibilidade de depois do financiamento, e do reembolso total ao banco, o cliente tem ainda poder de endividamento e quase que automaticamente após ao crédito anterior. O cliente pode de seguida identificar outra necessidade para investir e beneficiar de outro crédito nas mesmas condições.

A quinta vantagem tem a ver com a possibilidade de recuperar pelo menos parte da garantia, para o caso de ao longo da liquidação das prestações, ter se verificado que o investimento não deu certo, ou não ter resultado em lucros ou receitas, supõe-se que pelo menos parte das prestações já terão sido liquidadas junto ao credor, e que o banco recorreria à garantia apenas para a liquidação do remanescente ou do saldo devedor até aquela data. Caso tivesse o mutuário investido com capital próprio e o investimento não retornasse lucros, nem tivesse sustentação, poder-se-ia perder todo o investimento.

A sexta vantagem tem a ver com as taxas de juros e despesas, nesta modalidade de crédito elas ficam mais baixas, pois o banco credor não encontra grandes dificuldades em liberar o empréstimo, a percentagem de risco é mais reduzida, seu tempo e meios investidos na contratação são reduzidos. Então por estas causas e porque o credor estará interessado especialmente em captar cada vez mais clientes para esta modalidade, o banco disponibilizará com certeza taxas mais atractivas.

A sétima e última vantagem que listamos para o mutuário é que geralmente nesta modalidade de crédito não são exigidas referências, avalistas, ou outras garantias auxiliares, especialmente quando o valor da garantia cobre 100% ou mais do valor do empréstimo.

Limitações do Crédito com colateral

Porque quando se fala de vantagens os leitores esperam que se fale também das desvantagens ou limitações, vamos aqui apenas por formalidade referir algumas limitações.

Para o banco credor, quase nunca existem riscos ou desvantagens nesta modalidade de crédito excepto pela lógica sustentada da teoria de que todo o crédito oferece sempre o nível de risco mesmo que reduzido, doutro modo somos incapazes de identificar para os bancos credores uma desvantagem que seja relevante.

Quanto ao mutuário, no caso empresas que desejem contrair um empréstimo nesta modalidade, a limitação óbvia é que seu acesso e contratação ficam completamente condicionados à disponibilidade de fundos em conta, logo todas as empresas que não tiverem fundos em conta capazes de serem elegíveis como garantia, ficam à partida excluídas do acesso.

Qual é a esperança para pequenas empresas sem garantias em depósitos suficientemente elegíveis, mas que precisem realmente de financiamento para seus projectos por parte de entidades bancárias?

Fique atento ao próximo artigo da categoria “premium” pios ele apontará uma solução para estes casos.

 




One thought on “Créditos com Colateral para Empresas, vantagens e limitações para o credor e para o mutuário

  1. suzana joao cabanga

    se todas as empresas bancarias utilizassem estais vantagens facilitava a vida dos angolanos, e não houvesse muitas divergência no mercado.

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