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Casas de câmbio fora dos leilões do BNA

Quadros Bancarios Fonte: VE As casas de câmbio caminham para a oitava semana sem acesso aos leilões de divisas do Banco Nacional de Angola (BNA), mesmo depois de aprovado, no ano passado, o novo quadro operacional da política cambial, revela ao VALOR o presidente da Associação das Casas de Câmbio, Hamilton Macedo. De acordo com o líder da associação que congrega cerca de 40 operadores, o “mau momento” é justificado com a “crise de divisas” que afecta o país devido à redução das receitas com vendas do petróleo. Hamilton Macedo tem fé que, nas próximas semanas, a situação das casas de câmbio passe de “crise” para de “alívio” devido, como referiu, a uma possível injecção de “mais divisas” [para as casas de câmbio] pelo banco central. “Temos informação de que, nas próximas semanas, vai haver injecção de divisas e que tal medida está autorizada para ser executada. O mercado vai sentir um alívio, mas não é nada confirmado porque a venda ainda não se efectuou”, afirmou o responsável. Está em vigor, desde Julho do ano passado, o “novo quadro operacional da política cambial”, que prevê vendas directas de divisas do banco central às casas de câmbio. Em duas sessões ‘inaugurais’, realizadas em Agosto e Setembro de 2015, o BNA vendeu dólares exclusivamente aos agentes de câmbio, com uma colocação a rondar os 20 milhões de dólares. O novo quadro operacional “prevê a alocação directa, pelo Banco Nacional de Angola, de moeda estrangeira às casas de câmbio, tendo em vista o alcance social da actividade operacional e a normalização dos distintos segmentos do mercado cambial”, refere um comunicado do banco central do ano passado. Para além das casas de câmbio, o novo quadro operacional “prevê sessões de leilão destinadas exclusivamente às instituições bancárias e à venda directa de divisas para o atendimento das necessidades prioritárias de bens e serviços definidos no programa do Executivo”, de acordo com relatório de venda de divisas de Agosto do ano passado. Nas últimas colocações de divisas do banco central ao mercado cambial, não foram contemplados recursos para as casas de câmbio, pelo menos desde a penúltima semana de Maio, quando o BNA fez a última venda em dólar. Desde então, os destinos regulares das divisas do banco central passaram a ser, com uma ou outra variação, os bancos Keve, BAI, BFA, BCI, BNI, BPC, BIC, Caixa Angola, Banco Sol, Banco Económico, Standard Charter, Atlântico, Pungo Andongo, Finibanco e o Banco de Crédito do Sul. NEGÓCIOS AMEAÇADOS A ‘suspensão’ de venda de divisas às casas de câmbio está a comprometer o negócio de vários operadores. Da crise de divisas, há ainda quem sobreviva, mas só pelo processamento de remessas das empresas e particulares, segundo o presidente da associação e sócio gerente da Nova Câmbio. “Como somos casas de câmbio e de remessas, ainda temos recebido as remessas. Mas dólares o BNA já não vende há muito. E se não recebemos divisas não há negócio”, queixa-se o gestor. O ‘grito de socorro’ das casas de câmbio já vem de longe. No ano passado, antes da aprovação do novo quadro operacional de distribuição de divisas, os seus responsáveis falavam da possibilidade de despedimentos. Este ano, Hamilton diz que as pressões continuam, mas não culpa o BNA, admitindo que é a crise que as afecta. “Entendemos bem que, nesta fase, o pouco que existe é a distribuição que é feita e que pode, em alguma medida, não chegar para todos”, reconhece o patrão das casas de câmbio, esperançoso em dias melhores no negócio do câmbio de divisas. As dificuldades nos negócios das casas de câmbio remontam a 2013, com a publicação de uma directiva do BNA, que ordenava às agências que vendessem divisas a quem tivesse títulos de viagens. Ou seja, para se ter acesso ao dólar, era preciso fazer-se acompanhar de um bilhete de passagem de viagem ao estrangeiro, com um passaporte com visto de entrada no país.




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