Algumas horas após a Santoro ter emitido um comunicado esclarecendo que as negociações com o CaixaBank para encontrar uma solução para o BPI ainda não estão concluídas, o BPI emitiu outro em que diz que o acordo entre os accionistas falhou. Isabel dos Santos quer que as acções do BFA, até agora detido a 50,1% pelo BPI, sejam admitidas à cotação em bolsa.

 

Uma semana após ter comunicado ao mercado o êxito das negociações em curso entre os seus dois maiores accionistas, o CaixaBank e a Santoro Finance, o BPI veio revelar este Domingo, em comunicado dirigido à entidade reguladora que, afinal, o acordo falhou. O BPI responsabiliza a Santoro que, segundo o comunicado dirigido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) portuguesa, ‘desrespeitou o que tinha acordado e veio a solicitar alterações aos documentos contratuais acima mencionados (o anterior comunicado do BPI, de há uma semana, referia que a solução encontrada estava vertida num conjunto de documentos contratuais).

O comunicado do BPI adianta ter sido ‘possível, relativamente a algumas delas, chegar a um acordo. Porém, uma das alterações solicitadas, pela sua relevância, iria desfigurar gravemente a solução que fora acordada e comunicada ao Conselho de Administração do Banco BPI, que a aprovou em reunião realizada no dia 13 de Abril’. O BPI não esclarece, contudo, qual a alteração que iria desfigurar gravemente a solução que fora acordada’. ‘Neste quadro, refere o BPI, e tendo presente que, ao longo do último ano, foram por si desenvolvidos todos os esforços no sentido de obter uma solução para a situação de incumprimento do limite de grandes riscos, o Banco BPI está em contacto com o Banco Central Europeu para ser encontrada uma alternativa’.

No Sábado, um comunicado da Santoro, avisava que as negociações entre os principais accionistas do BPI, que detêm 50,1% do Banco de Fomento Angola (BFA), ainda não estavam concluídas. ‘Há elementos pendentes que precisam de ser resolvidos’, admitiu em comunicado, emitido este Sábado, 16 de Abril, a Santoro Finance, que procura chegar com o CaixaBank a um acordo que viabilize uma solução para os activos africanos do banco de direito português. A empresária angolana Isabel dos Santos, que controla a Santoro Finance, sociedade que detém 18,58% do BPI, adianta, numa declaração constante no comunicado, ter ‘esperança de que as negociações em curso serão concluídas com êxito, no melhor interesse de todas as partes’.

A posição de Isabel dos Santos, acrescenta a referida nota, ‘é que a participação actual do BPI no BFA seja reduzida e que as acções do BFA sejam admitidas à cotação em bolsa; e que isso poderia acontecer através da dispersão das acções numa bolsa de valores adequada. Seria no melhor interesse de todos os accionistas, em Portugal e no resto do mundo’. Por decisão do BCE, o BPI deve reduzir a sua exposição ao Banco de Fomento Angola (BFA).

No presente momento o BPI detém 50,1% do BFA. O acordo entre os principais accionistas do BPI, com efeitos sobre o BFA, terá ainda de ser aprovado pela entidade reguladora do sistema bancário angolano, o Banco Nacional de Angola (BNA). Fonte da Santoro, citada pelo diário português Negócios, sublinha que o objectivo deste comunicado não é o de anunciar uma ruptura, mas precisamente o inverso, ou seja, o de ‘tudo fazer para evitar males maiores’. ‘O nosso objectivo é o diálogo e desejamos manter todas as portas e canais de comunicação abertos’, acrescentou a mesma fonte, para que as negociações sejam concluídas com êxito.