Fonte: O PAIS

O Banco Nacional de Angola já bateu este mês um novo recorde na venda de divisas. Ao fim de três semanas de Setembro o BNA já vendeu USD 1.027 milhões, o valor mais elevado atingido em 2016.

Setembro, embora ainda só conte três semanas, é já o mês em que o Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu mais divisas este ano à banca comercial. As vendas semanais de Setembro fizeram-se em sentido ascendente, com o BNA a vender, na última semana, € 387,2 milhões, o equivalente a USD 432,6 milhões, o que traduz um acréscimo de cerca de 19% em relação à segunda semana do mês.

Embora o montante médio mensal de venda de divisas se mantenha abaixo de 2015, deve salientar-se que, no que respeita  ao mês de Setembro, os valores aproximam-se muito. Assim, nas três primeiras semanas de Setembro do ano passado o BNA vendeu, no mercado primário, USD 1.030,4 milhões, ao passo que em igual período deste ano vendeu USD 1.027 milhões.

De salientar ainda que do montante total transaccionado e após uma paralisação de oito meses, o BNA voltou a realizar venda de divisas em leilão de preço, tendo realizado duas sessões em que foi transaccionado um montante aproximado de € 70,7 milhões (equivalente a USD 79,0 milhões), dos quais € 30,4 milhões para bens alimentares e € 40,3 milhões destinados a outros sectores.

O montante remanescente de divisas colocadas no mercado primário, em regime de venda directa, destinaram-se primordialmente à cobertura de operações de bens alimentares (€ 157,1 milhões).

Foram ainda vendidos, em leilão, € 29,5 milhões para a cobertura de necessidades do sector das telecomunicações, € 17,9 milhões para a cobertura de operações de viagens, ajuda familiar, saúde e educação, € 17,9 milhões para a cobertura de operações de companhias aéreas, € 11,3 milhões para cobertura de operações para importação de congelados (peixe, carne e frango), € 10,7 milhões para cobertura de necessidades do sector da energia e águas, € 10,7 milhões para bolseiros; € 8,9 milhões para cobertura de operações com salários de não residentes cambiais, € 8,1 milhões para cobertura de operações do sector petrolífero, € 6,4 milhões para cobertura de necessidades do sector da saúde, € 1,6 milhões para cobertura de necessidades do sector dos transportes e, finalmente, € 27,5 milhões para cobertura de operações diversas.

Taxa de câmbio invariável

A taxa de câmbio do kwanza face ao euro e ao dólar manteve-se praticamente inalterada face à semana anterior, mantendo-se no patamar de Kz 186,27 por cada euro e Kz 166,71 por cada dólar há 23 semanas. A dívida pública colocada na última semana pelo banco central na sua qualidade de operador do Estado reduziu-se significativamente em relação à semana anterior – mais de 68%.

Assim, o BNA colocou, na última semana, no mercado primário títulos do Tesouro no montante de Kz 17,5 mil milhões, o qual se repartiu por Kz 11,9 mil milhões em Bilhetes do Tesouro (BT) e Kz 5,6 mil milhões em Obrigações do Tesouro indexadas à taxa de câmbio (OTTX).

A taxa de juro média apurada para os Bilhetes do Tesouro a um ano (364 dias) situou-se em 18,5%. No segmento de venda directa de títulos ao público foi colocado o montante de Kz 1,2 mil milhões, distribuído por Kz 445,7 milhões em Obrigações do Tesouro em moeda nacional indexadas à taxa de câmbio na maturidade de 2 anos e por Kz 802,5 milhões em Bilhetes do Tesouro nas maturidades de 91, 182 e 364 dias.

Produtos vigiados descem de preço

Seis em cada dez dos produtos em regime de preços vigiados nos supermercados tiveram uma redução que chegou aos 28%, durante o mês de Agosto. Os dados foram tornados públicos pelo Instituto de Preços e Concorrência (IPREC), através Boletim de Preços do seu Departamento de Competitividade e Análise de Mercado. De entre os 33 bens de consumo que compõem a lista, o tomate, a cenoura, a batata-doce e o pão foram os que registaram maiores descidas nos preços, de Julho para Agosto, nos supermercados.

Já a farinha de trigo, o óleo de palma e o alho foram os que registaram as maiores subidas Segundo a análise do IPREC, o comportamento dos preços dos produtos varia em função da sua proveniência: os de origem nacional viram os seus preços evoluir em baixa, enquanto os importados registaram subidas, de acordo com a realidade observada em Agosto nos mercados da cidade de Luanda.

O principal factor apontado como tendo estado na base da alta dos preços dos produtos importados é a escassez de divisas. O IPREC, órgão tutelado pelo MINFIN, observa ainda que, regra geral, os produtos em regime de preços vigiados apresentam preços mais baixos nas praças do que nos supermercados, com destaque para os bens de produção primária, como a carne, o peixe, os hortícolas e a fruta.