O Portal Bancos de Angola

É um espaço informativo de divulgação e educação voltado ao sector bancário angolano, suas ofertas, promoções, entrevistas, matérias, cotações, etc. Não devendo ser interpretado como substituto das entidades reguladoras do sector financeiro.

Banco Sol associa lucro à satisfação das necessidades dos clientes


Coutinho Nobre Miguel, Presidente do Conselho de Administração do Banco Sol

fonte:angop
De resto, foi assim que o PCA, Coutinho Miguel, caracterizou em entrevista à Angop, em que sublinhou que o micro crédito é o pilar da solvabilidade do banco, mas também tem os olhos virados para a expansão do negócio, para já, à região austral, e depois à Europa. Esta instituição, segundo o PCA, está comprometida em ajudar o país na diversificação da economia.
 Como se sabe, a actual situação económica a nível internacional não é favorável para nenhum país. Que apreciação o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Banco Sol faz do contexto económico?
Coutinho Nobre Miguel (CNM): Muito obrigado. Queria, em primeiro lugar, agradecer esta soberana oportunidade que a Angop dispensa ao Banco Sol para colher a nossa opinião sobre esta matéria tão actual, oportuna e pertinente para todos nós. Como sabem, o crescimento económico angolano num contexto de crise é algo que tem de ser encarado de uma forma séria e responsável, mas também com alguma naturalidade, porque o crescimento das economias é, em geral, caracterizado por ciclos económicos, em que há períodos de crescimento mais dinâmicos e se seguem outros de menor crescimento e/ou mesmo de recessão, que muitas vezes até correspondem a fases de ajustamento importantes e que se revelam úteis para o crescimento de longo prazo.

O momento actual interpela a que o Executivo angolano e todas as forças vivas da sociedade têm de conjugar esforços para criar estratégias que permitem efectivamente a saída da crise económica e financeira em que nos encontramos. Esta crise é também estrutural e ela é profunda. Estrutural na medida em que não tem apenas uma matriz localizada em Angola, é uma crise geral, que resulta dos choques económicos e financeiros. O nosso principal produto de exportação é o petróleo, que é a fonte de receita principal para o Estado angolano. O que devemos fazer neste contexto é aquilo que está efectivamente plasmado no Plano Nacional de Desenvolvimento, em que somos interpelados para darmos três passos estratégicos.

O primeiro passo estratégico está configurado e tem sido várias vezes reflectido, tem a ver com a diversificação sustentada da economia nacional. O que é isso diversificação sustentada da economia nacional? Significa que devemos lançar mão na estratégia de fomento, promoção e consolidação empresarial. Pois que, por esta via, vamos conseguir criar mais oportunidades de emprego, vamos reduzir significativamente a pobreza, combater a fome e garantir a inclusão social.

A segunda estratégia tem a ver com a intervenção da banca e outras instituições de fomento empresarial. Temos um instituto de fomento empresarial, temos instituto de pequenas e médias empresas, o fundo de garantia, mas o papel da banca é preponderante.

Senhores jornalistas, não há crescimento nem desenvolvimento sustentável sem uma banca séria, credível, confiável, que apoie o crescimento e o desenvolvimento. Portanto, o segundo eixo tem a ver com a intervenção activa, criadora e inovadora da banca. O terceiro eixo tem a ver com a criação de outras fontes alternativas de financiamento.

A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) tem estado a dar passos gigantescos, a Bolsa de Valores e Dívida de Angola (BODIVA) é já uma realidade no nosso país. Quer dizer que a criação de um mercado de capitais, como fonte alternativa, para financiar projectos estruturados de médio e longo prazo, deve ser encarada também como uma das realidades incontornáveis.

 Qual é a posição de Angola no actual contexto económico internacional?

CNM: Aqui devo centrar-me no papel da banca. A banca deve apoiar as iniciativas, relativamente às micro, pequenas e médias empresas, porque a experiência mundial mostra, de forma concludente, que as micro, pequenas e médias empresas constituem a espinha dorsal de qualquer economia.

Há a experiência da China, Índia, Rússia e do Brasil e outros países, e Angola não poderá fugir a esta regra. Até porque, por razões óbvias, o país tem população excluída do sistema bancário e financeiro clássico, tem um número elevado de mutilados, de órfãos, deslocados, o êxodo populacional do campo para a cidade. Para assegurarmos a inclusão social, o resgate da cidadania, e ao mesmo tempo defendermos o princípio de que temos de ter uma economia que promova a igualdade, a solidariedade e a inclusividade. Temos de olhar fortemente para as micro, pequenas e médias empresas. Portanto, este deve ser um dos elementos determinantes para sair hoje e também prevenir os próximos ciclos da vida económica.

 Em relação ao primeiro eixo que citou, de que forma pode assegurar que se obtenha melhores resultados no capítulo da diversificação da economia em relação à crise 2008? Em relação ao terceiro, como encara a falta de contabilidade organizada e da transparência que se verifica ainda em várias empresas?

CNM: Relativamente à primeira questão, temos de ter sempre presente na vida que os primeiros passos são os mais difíceis, mas historicamente são os mais importantes. Quando ocorreu a crise de 2008, o governo olhou para a realidade económica nacional e internacional e ao nível nacional criou as bases para a diversificação da economia, criou os alicerces e a estratégia. E esta estratégia começou a ser implementada em 2011- 2012.

Através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), o governo lançou uma linha de financiamento – o crédito agrícola de campanha -, que esteve virado essencialmente para apoio aos pequenos e médios produtores agrícolas, às cooperativas agrícolas, às associações de camponeses e às iniciativas comerciais no meio rural. O governo também lançou o crédito agrícola de investimento, em 2012, para apoiar projectos de média dimensão, e todos estes tiveram sempre uma abrangência nacional. Em 2013-2014, o governo decidiu levar a cabo um projecto mais amplo que é o Angola Investe.

Quer dizer que há preocupação do Executivo perante os ciclos económicos, o quadro macroeconómico e o comportamento do mercado, e porque temos consciência que somos uma economia mono-produto – que depende apenas do petróleo -, quando na verdade temos potencialidades que devem ser exploradas para produzir a riqueza nacional, gerar riqueza e renda para o cidadão e proporcionar emprego.

E o governo, encarando esta realidade, decidiu efectivamente levar a cabo um programa mais vasto, com maior profundidade, com maior abrangência. É para dizer que o cenário de 2008 serviu de balão de ensaio e foram lançados os alicerces para que caminhássemos para um programa de desenvolvimento. Por isso, foi aprovado um Plano Nacional de Desenvolvimento 2012-2020. E o programa Angola Investe responde a esta visão estratégica do Estado.

Quanto à questão sobre fontes alternativas de financiamento estruturado, saímos de uma economia instrumentalizada, muitas empresas ainda não atingiram os níveis estruturantes de organização contabilística, e sobretudo também da publicação de relatório e exercício de contas, ainda não estão afinados os instrumentos de gestão empresarial. Mas não podemos esperar que estes instrumentos de gestão empresarial estejam preparados à escala nacional. Temos de começar de algum modo. E hoje temos aí exemplos tangíveis de um grupo empresarial forte, sobretudo do sector público, e do sector privado também, que fazem parte já da BODIVA e tem os instrumentos de gestão, de cálculo económico, os relatórios e exercício de contas auditados e publicados. Significa que estamos a dar os passos que hão-de nos conduzir para que possamos ter estruturas mais robustas, mais fortes, mais organizadas, quer do ponto de vista contabilístico, quer do ponto de vista do instrumento de gestão empresarial.

Até que ponto a crise está a condicionar o desempenho do Banco Sol?

CNM: A crise económica financeira afecta os bancos, porque os níveis de importação, de investimento privado estrangeiro, de circulação da massa monetária reduziram substancialmente. Portanto, significa que a crise económica financeira afectou alguns agregados dos principais indicadores financeiros, da banca no geral. Quer ao nível dos depósitos, quer ao nível dos créditos e mesmo também ao rácio de incumprimento, porque os fluxos de importação reduziram e quando reduzem as importações os depositantes também têm pouca capacidade de depositarem.

A própria dívida pública, cuja regularização vai ocorrendo com uma gestão um pouco ajustada, também vai apertando as empresas que têm compromisso com os bancos. Uma empresa, por exemplo, que tem de honrar os créditos, mas, entretanto, também é credora de uma outra unidade pública ou privada e o Estado não amortiza em tempo útil o seu crédito, logo, ela também arrasta consigo este problema.

Nestes casos, qual é o tratamento que o banco dá a estes clientes?

CNM: Temos duas opções: a primeira passa pela reestruturação do crédito, para evitar a sua “morte” por razões exógenas. Portanto, se o cliente é economicamente activo, com uma organização empresarial e com uma base estrutural forte e com grande capacidade de investimento, mas por razões exógenas ao próprio tem dificuldades, o banco tem de reapreciar estas circunstâncias objectivamente e ponderar o risco, porque o fim último do banco quando financia um cliente é, de facto, esperar que ele tenha uma vida próspera empresarial, desenvolva a sua actividade e possa ter rentabilidade e consiga efectivamente honrar os compromissos assumidos com os bancos.

A segunda alternativa passa pelo refinanciamento do cliente, para evitar a falência do seu negócio, porque caso ele vá à falência, naturalmente, o risco do banco é maior, ou seja, nunca mais o banco há-de recuperar o financiamento.

 Se uma empresa particular também, por razões exógenas, não consegue cumprir as obrigações salariais dos funcionários em tempo útil, qual é o tratamento que o banco dá a esta unidade?

CNM: Neste caso, o banco dilata o prazo. Portanto, se estabelecemos um prazo de devolução do crédito para dois anos, dilatamos este prazo, para permitir que durante este período ele possa ter a hipótese de rejuvenescer a sua actividade empresarial, revitalizar e reganhar forças para poder estar em conformidade para pagar o seu crédito. Portanto, o importante nisso é o diálogo construtivo, cooperante, interactivo entre o tomador do crédito e o banco, entidade creditícia.

Olhando para a realidade, estamos em condições óptimas de criarmos, aqui, um formato que permita que, quer o cliente quer o banco, possam coabitar num ambiente diferente, mas sempre com a confiança e a credibilidade mantidas.

 Pelo seu discurso, fica-se com a impressão de que o Banco Sol, no caso do Angola Investe, está muito seguro e tem sido bem sucedido. No entanto, o que gostaria que melhorasse no desempenho ou execução deste programa?

CNM: É uma pergunta apetitosa e muito importante. A experiência que acumulamos ao longo desses anos de actividade bancária, sobretudo na implementação desses programas, o elemento fundamental que deve ser rapidamente transformado é a celeridade, porque a excessiva lentidão desmotiva o empreendedor ou investidor. Muitos deles (empreendedores) sem experiência adequada, mas porque têm apetite ao crédito pensam que o crédito tem que ser cedido de um dia para o outro, mas também convenhamos reconhecer que há alguma burocracia. Os projectos do Programa Angola Investe devem ser tratados com alguma celeridade e rapidez.

Há algum esforço grande do ministro da Economia em tornar este processo mais célere. Aliás, devo render uma singela homenagem ao ministro porque tem sabido realizar reuniões com todas instituições bancárias – banco a banco – e com a presença de todo pessoal para ver detalhe ao detalhe. Nós manifestamos ao senhor ministro que os projectos nos sectores da indústria, agricultura, pecuária e pescas, construção, indústria de material de construção, geologia e minas estão assegurados, porque o risco do banco é reduzido. Temos uma garantia pública que é um instrumento importantíssimo que nos dá segurança e cautela do risco das situações financeiras.

Portanto, temos que reduzir os prazos para que possamos responder com tempestividade as expectativas dos investidores. Não responder de acordo com a vontade dele, mas de acordo às expectativas legítimas. O que quer dizer que temos que simplificar algumas coisas. Temos que trabalhar com maior celeridade e rapidez, maior eficiência e eficácia para que, com a tempestividade necessidade necessária, possamos responder as expectativas legitimas dos investidores.

 Qual é a carteira de crédito que o Banco Sol tem disponível para o programa Angola Investe deste ano?

CNM: Ao Programa Angola Investe, temos uma fasquia em kwanzas correspondente em dólares a cerca de 100 milhões, que subscrevemos de acordo à convenção financeira. Não temos taxativamente valores para cada ano. Podemos esgotar o montante este ano. O importante é que tenhamos projectos, e aqui gostaria de aproveitar a vossa presença para também lançar um repto à classe empresarial, porque, na verdade, trata-se de crédito e o crédito é um risco. Por isso, temos de apostar seriamente no crédito responsável. Significa que antes de fazermos um crédito, temos de analisar com rigor e prudência a natureza do projecto, isto é, a sustentabilidade do projecto, a sua viabilidade, o perfil do gestor – aquele que tem iniciativa de negócio – porque muitas vezes alguns projectos fracassam porque o perfil do gestor é contrário ou adverso aos propósitos do negócio.

Existe alguma ocorrência neste sentido ao nível do Banco Sol?

CNM: Não diria que tenha havido, mas dentro da nossa experiência ocorrem muitos casos destes. Por isso é que temos de ter em conta o perfil do gestor, a sua organização e também o sector que ele quer investir. Por exemplo, há pessoas que têm aptidões, habilidades, capacidades e valências para apostar seriamente no sector da educação e não servir no sector da agro-indústria e vice-versa.

 Há casos de gestores que dão destinos diferentes aos financiamentos que lhes são concedidos?

CNM: Aparecem muitos casos. Por isso é que a monitorização, o conhecimento real e efectivo do perfil do gestor é fundamental. Falava do crédito responsável porque temos que mitigar o risco, não anular, porque é difícil anular o risco – na gestão bancária tem de existir o apetite ao risco – mas é preciso saber mitigar este risco e saber geri-lo para que este risco não represente efectivamente, do ponto de vista técnico, derrapagem de uma instituição financeira, quer dizer, um credito em cumprimento sem reparação.

O que nós pretendemos é financiarmos A, B, mas que estes assegurem a amortização do crédito para que, com este retorno, a instituição consiga fazer aplicação reprodutiva deste capital, ou seja, possamos investir, dando mais créditos às empresas.

 Após este enquadramento sobre o percurso até hoje, qual a sua visão da realidade actual do Programa. Qual a leitura que se lhe oferece fazer no momento?

CNM: Posso dar-lhe alguma informação estatística, sobretudo aquilo que tem sido o desempenho do Banco Sol nestes grandes programas. Porque a informação global não cabe a mim, e sim ao Ministério da Economia e outros órgãos do governo.

Relativamente ao Banco Sol, o seu engajamento e compromisso no programa Angola Investe temos 32 processos aprovados, num valor total de cerca de 44 milhões, 700 mil e 600 kwanzas. Temos cerca de 20 processos, cujos créditos foram desembolsados à conta de clientes. Temos 32 processos pendentes (quer dizer, em fase de conclusão e apreciação técnica). Temos 52 processos em fase de análise técnica, económica e financeira, porque os processos têm de se mostrar exequíveis. Têm de ter viabilidade, sustentabilidade e o segmento do mercado devidamente desenhado.

O montante total de financiamento que o Banco Sol já concedeu à economia nacional, se juntarmos os processos dos outros bancos que intervêm no Programa Angola Investe – cerca de 20 bancos comerciais –, podereis facilmente depreender e inferir que a banca está seriamente comprometida com a racionalidade do Angola Investe.

No caso particular do Banco Sol, está sempre presente em todos os momentos decisivos da economia nacional. Presente porque todos os programas que acabei de citar – quer o programa de crédito agrícola de campanha, quer o de crédito agrícola de investimento e agora o Angola Investe -, o Banco Sol tem sempre uma presença incontornável, porque a sua matriz fundadora é o micro-crédito.

Temos dito repetidas vezes que o micro-crédito é um instrumento útil e valioso de redução significativa da pobreza, do combate à fome e desemprego. Ele é o pilar da solvabilidade do Banco Sol. Para além destes programas do Executivo, o Banco Sol também já desenvolveu outros programas, designadamente com o Instituto Nacional de Formação Profissional (INAFOP) – uma parceria estratégica com o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social – com uma empresa do sector farmacêutico, com a Associação de Mulheres Empresárias de Angola, com a Organização da Mulher Angolana e um programa específico do banco para financiamento e apoio aos professores, enfermeiros e pessoal técnico administrativo destes sectores da economia nacional.

Levamos a cabo também o crédito aos moto-taxistas, aos camionistas e aos estudantes universitários para mostrar que a nossa preocupação é de um banco atento aos problemas sociais, económicos e ao resgate da cidadania, num conceito cidadão, cidadania e desenvolvimento sustentável. Portanto, estamos no topo de todos os bancos da praça, porque interpretamos, conhecemos e perfilhamos a racionalidade e motivações do Programa Angola Investe.

 Qual é a carteira de crédito do Banco Sol? Que significado tem para o Banco Sol?

CNM: Até dia 23 de Março, a minha carteira de crédito estava na ordem dos dois biliões e 252 milhões de dólares. Significa dizer que temos uma carteira de crédito confortável. Nós somos praticamente o sexto banco da praça. Temos cerca de 168 balcões no mercado e 1450 trabalhadores.

 Em suma, qual é o montante que o banco disponibilizou para a nossa economia?

CNM: Devo dizer-lhe que até dia 23, o meu crédito activo acumulado estava na ordem dos 917 milhões de dólares. Portanto, isso é para vocês verem qual tem sido o contributo do Banco Sol para o desenvolvimento da Economia Nacional.

 Como está o Bano Sol em termos do crédito mal parado?

CNM: Felizmente somos um dos bancos da praça com nível de crédito em incumprimento na ordem de 5 porcento. Portanto, para 917 milhões de dólares concedidos, podemos considerar que temos o domínio total do nosso crédito concedido e do crédito em risco.

A nossa área de gestão e reparação de crédito e as áreas comerciais estão perfeitamente instrumentalizadas e preparadas de mecanismos para a monitorização e recuperação do crédito e muitas vezes os bancos têm que saber dialogar com os clientes, visitá-los, propor-lhes soluções, porque entre os bancos, as empresas e os particulares existe uma relação ambivalente. Nós precisamos das empresas, a nossa rentabilidade resulta inequivocamente do crédito.

A principal actividade clássica da banca é o crédito. Então, temos de saber e criar processos e procedimentos que nos permitam manter diálogo permanente com os clientes, fazer visitas, solicitar demonstrações financeiras, solicitar balancete, sugerir ao cliente as formas mais adequadas de gestão empresarial. Este diálogo bilateral contribui positivamente para que o risco, sempre presente, possa ser reduzido.

Quais são os sectores mais solicitados para investimentos?

CNM: Os investimentos que ocorrem com mais frequências estão ligados aos sectores das indústrias de construção, transformadora, agro-indústria – este sobretudo nos últimos anos -, da hotelaria e também na área de prestação de serviços.

 Pode citar exemplo de um caso que tenha prosperado no âmbito do Programa Angola Investe?

CNM: Já temos bons exemplos, mas não gostaria de citar por razões de sigilo bancário, porque o cliente pode não gostar. Temos bons exemplos nas províncias do Bengo, na área da produção agrícola, em Luanda, na indústria de transformação e Educação e Ensino, e em Benguela, na construção civil. Portanto, temos várias áreas em que o Banco Sol financiou e cujo resultados positivos dão-nos uma inspiração animadora.

Pode dizer-nos como vê a concorrência do sector bancário no país?

CNM: O sector bancário é um sector específico. Tem uma pedagogia e didáctica própria. É um sector em que a concorrência é saudável, porque é um sector com muita produção normativa. O sector bancário é, sem dúvida, o que tem maior produção normativa, avisos, directivas, instrutivos. É um conjunto de instrumentos. E esta concorrência desde que seja na sã convivência e baseada também no ego comercial e profissional é saudável. Até porque ela conduz ao desenvolvimento e surgimento de mais operadores, proporciona desenvolvimento e ao mesmo tempo maior oportunidade, oferta de serviços e produtos ao mercado, e conclusivamente quem ganha é o mercado.

A concorrência no sector empresarial bancário encaro como bastante leal e responsável, assente em deontologia comercial cristalina. Ela é importante porque ganha o mercado e o consumidor final.

 Que futuro para a banca? Que perspectivas de negócio o Banco Sol tem como instituição?

CNM: Quanto à questão que coloca, devo dizer que a banca tem um futuro muito grande e tem também o papel muito preponderante, porque, tal como disse inicialmente, a banca é um parceiro importante do governo para os programas de fomento, promoção e consolidação empresarial.

Tal como disse inicialmente, creiam e sublinhem, é um facto de que não haverá crescimento económico, desenvolvimento económico, fomento empresarial e diversificação da economia sem uma banca forte, credível e confiável. O cidadão tem que ter confiança na banca, tem que acreditar na banca, porque a banca é a catalisadora do crescimento da economia nacional, esse é um enquadramento macro.

Quanto ao micro, que tem a ver com Banco Sol, começamos em 2001 como uma instituição de micro-crédito. Continuamos assumidamente a ser um banco comprometido ao apoio a pessoas mais carenciadas, mais desfavorecidas, aquelas pessoas que, por razões diversas, estão excluídas da banca clássica, que estão desprovidas de garantias reais, patrimoniais, pessoais, mas que são pessoas economicamente activas e que podem ser alavancadas, potencializadas e apoiadas pela banca.

O Banco Sol, ao longo desses anos, deu exemplos factíveis de como podemos estruturar produtos e serviços para esse segmento. Nós continuamos a ter o micro-crédito como pilar da nossa instituição. É um produto fundamental. Por isso, eu citei os vários programas que nós temos estado a desenvolver: créditos para os professores, enfermeiros, taxistas, camionistas, estudantes universitários e crédito ao empreendedorismo inovador juvenil.

Claro que num cenário de desenvolvimento e tendo em conta a dinâmica da vida e a realidade económica nacional e internacional, o Banco Sol é hoje universal. Se continuássemos como banco de micro-crédito não teríamos essa carteira de depósitos de dois biliões. Poderíamos ter, talvez, daqui há 20 anos. Demos um salto de um banco eminentemente de micro-crédito, como nasceu, para um banco universal. Isto significa que nós hoje estruturamos produtos da banca clássica, o micro-crédito, créditos para o investimento, a habitação, automóvel e temos das empresas contas correntes. O banco assegura os seus clientes através de cartas de créditos, damos às grandes empresas contas correntes, garantias bancárias e temos também uma grande intervenção no mercado internacional.

Hoje, temos cerca de seis bancos correspondentes que asseguram as nossas operações no exterior. E como se isso não bastasse, temos hoje, a nível do banco, uma direcção da banca de grandes empresas, direcção da banca de investimento, uma direcção do “Private bank”. Portanto, somos um banco universal.

Face ao nível dos nossos activos da inequívoca capacidade de liquidez do Banco Sol, da sua solidez e do seu posicionamento estratégico no mercado, estamos a pensar em internacionalizar o banco, porque também entendemos que a internacionalização é um factor incontornável do crescimento e desenvolvimento. O primeiro passo neste sentido está a ser dado ao nível da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Estamos, nesse momento, a trabalhar e o próximo passo provavelmente será na Namíbia, um país limítrofe.

Se olhar e fizer uma leitura cuidada à balança comercial constatareis que, na verdade, as relações comerciais entre a Namíbia e Angola vão atingindo níveis bastante confortáveis. O Banco Sol vai, com a abertura da sua filial na Namíbia, ser um instrumento financeiro de intermediação e de apoio aos empresários angolanos e namibianos. Também é uma forma de assegurar o reposicionamento estratégico de Angola no concerto das nações, partindo da região. Estamos a desenhar, dar passos em Moçambique e criar também, eventualmente, uma filial do Banco Sol na Europa e talvez com sede em Lisboa, Portugal.

A perspectiva que nós temos do nosso banco assenta em quatro pilares: O primeiro pilar é assegurar o crescimento orgânico do banco, o segundo é ser um banco líder em micro-crédito a nível do país, banco líder. Ninguém vai poder ultrapassar o Banco Sol em micro-crédito. Nós vamos assumir intrepidamente. No terceiro eixo estratégico, queremos ser um banco com criatividade, inovação e com rentabilidade e liquidez – numa só palavra um banco sólido. A quarta estratégia é ser um banco apostado na diversificação dos seus activos e com responsabilidade social, que respeita o meio envolvente, que apoia as famílias e que contribui para a cidadania e desenvolvimento. Por isso, criamos uma fundação chamada SOL.

Precisamos de ter uma economia que promova a solidariedade, a justiça, cidadania, porque o conceito de racionalidade económica ou de cálculo económico não é incompatível com a responsabilidade social corporativa. Temos que contribuir mais para a sociedade. Não podemos ter o conceito de capitalista puro, de lucro sem olhar para outras situações. Ao conceito de lucro nós associamos a satisfação das reais necessidades dos nossos clientes e do meio envolvente.

 Como encara as novas medidas exaradas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) sobre as operações cambiais?

CNM: As recentes medidas tomadas pelo Governo, e aqui devemos ressaltar o discurso do Presidente da República na reunião do comité Central, no passado dia 19 de Março, foram importantes por três razões fundamentais: a primeira razão é que o Banco Central tem uma função de regulamentação, a segunda é a função de supervisão e a terceira é de gestão de liquidez. Não podemos fugir desta realidade incontornável. Penso que toda banca e todo o sector financeiro angolano regozija-se pelas medidas tomadas pelo Presidente da República, que vão transformar o sector bancário num sector mais dinâmico, mais forte e mais inovador e que vai contribuir para o esforço do crescimento da economia.

 Que opinião têm sobre o facto de o BNA dispor agora em leilão o Euro, ao contrário do dólar que era habitual?

CNM: Quanto às medidas no domínio cambial têm a ver com os três aspectos, que acabei de referir. Os leilões têm que ser abertos, os bancos habilitam-se, adquirem as divisas respeitando as regras e normas do BNA que têm de alimentar o mercado. Sabemos que, face à conjuntura económica e financeira, as disponibilidades não são tão expressivas.

Teremos que coabitar com essas fortíssimas restrições, mas que vão respondendo às necessidades conjunturais, mas sem perder de vista os ganhos de uma economia de mercado. Não podemos instrumentalizar a economia. A economia de mercado é um facto assumido jurídico-constitucionalmente. Está na Constituição. Não podemos agora dar um passo à retaguarda, não é possível. Senão, seria um erro crasso.

 Qual o montante disponibilizado em micro-crédito desde a criação deste produto?

CNM: Desde a sua criação, em 2001 até 31 de Dezembro de 2015, foi possível conceder montantes em 161.075.756,96 milhões de dólares norte-americanos equivalente em kwanzas. Vale dizer que o micro-crédito visa o aumento do rendimento familiar de pequenos empreendedores com baixos ganhos, ou com dificuldades de acesso ao crédito bancário ou até mesmo, em alguns casos, pessoas classificadas como excluídas do sistema bancário clássico.

 Quantas pessoas se beneficiaram do micro-crédito do Banco Sol?

CNM: De forma acumulada já beneficiaram do programa de micro-crédito de forma directa 109.216 mil beneficiários. O retorno dos créditos concedidos ronda de 95 a 97 porcento, o que significa que apenas 2% reembolsam com ligeiro atraso e um porcento sofreu alargamento do prazo de pagamento. Seria de bom tom que fossem os próprios clientes a avaliar a prestação dos nossos serviços, mas como nos é feita a pergunta, vale realçar que pelo número de clientes e a taxa de retenção dos mesmos mostra existir uma grande satisfação. Pelo menos 37% dos mutuário estão connosco desde abertura do banco e os clientes que atingem os limites máximos do programa são encaminhados para a Direcção de Pequenas e Médias Empresas.

 Em relação ao “Cartão Kumbú” os clientes afirmam ter dificuldades no uso. Haverá algum problema relacionado com este cartão?

CNM: Não estão identificados quaisquer dificuldades no uso do “Cartão KUMBU”, isto a nível técnico. O que poderá estar a ocorrer actualmente é um problema operacional, consequência das boas práticas aplicadas contra o Branqueamento de Capitais e Apoio ao Terrorismo, por todos os intervenientes no circuíto de utilização das redes de aceitação em todo o mundo. São a limitação acesso aos fundos por meio de levantamentos em multicaixa (ATM).

Os utentes do “Cartão KUMBU” podem fazer a utilização do cartão sem qualquer constrangimento, desde que obedeçam as regras impostas nos países de utilização.

Outra, qualquer dificuldade ou dúvidas que tenham, deverão contactar os nossos serviços de apoio ao cliente em +244 923 637 000 ou +244 923 670 000, disponíveis 24 horas por dia.




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